Grupo de Estudos. Memorial do dia 12-09-2017
Olá, pessoas!
Terça-feira passada, começamos a realizar a leitura e fazer discussões do texto
“As Culturas da Infância nas Encruzilhadas da 2ª Modernidade” do autor Manuel
Jacinto Sarmento. Mas, antes de fazer uma breve memória do que foi estudado,
iremos apresentar a vocês, de forma rasa, quem é Sarmento e sua formação. Saber
um pouquinho do autor de textos que lemos, nos ajuda a compreender e
estabelecer um diálogo melhor com o texto escrito.
Manuel
Jacinto Sarmento Pereira, é professor titular do Instituto de Estudos da
Criança (IEC) e coordenador de um Programa de Pós-Graduação pioneiro
internacionalmente: o Mestrado em Sociologia da Infância, da Universidade
do Minho, Portugal. Possui experiência na área de Sociologia, com ênfase em
Sociologia da Infância. Possui
graduação em Estudos Portugueses pela Universidade do Porto (1980), mestrado em
Administração Escolar - Universidade do Minho (1993) e doutorado em Educação da
Criança - Universidade do Minho (1997). Pesquisa temas como infância, culturas da
infância, protagonismo, alteridade infantil e formação de professoras há mais
de uma década. Referência e interlocutor fundamental entres os pesquisadores
brasileiros e europeus, ele atua em grupos de pesquisa na Europa e no
Brasil.
A partir do século XVII, a criança
vem sendo encaminhada para concretizar o seu ato de fazer parte da sociedade
como um ser de direitos, que recebe e produz cultura, pois a criança aprende
entre interações com si mesmo e com os adultos. Não mais vista como uma tábula
rasa, como “meros seres biológicos, sem estatuto social nem autonomia
existencial”, infância essa tida durante a Idade Média (SARMENTO, p. 3).
Ao voltar o olhar para a criança como
o vir a ser da sociedade, e não mais como um sujeito sem voz, deu-se a chamada
institucionalização educativa da infância. Assim, é criado as primeiras
instâncias públicas para a educação de crianças em espaços escolares. Porém,
vale salientar que o espaço escolar é criado em um meio de desigualdades, ao
passo que a educação era destinada as crianças da classe burguesa, enquanto que
para meninas e meninos pobres, a esses era destinado o trabalho, a servidão.
A infância a qual conhecemos hoje,
que carece de cuidados especiais na integração do ser humano, é uma construção
social e do mundo ocidental histórica, difundida pela sociedade burguesa
europeia, como podemos ver em Ariès (1960). A
infância não pode ser considerada algo imutável, não há um modo concreto de
conceber a infância, mesmo porque, não há uma única concepção sólida de
infância, mas sim falamos em infâncias. Tal
significação nos remete a ideia de infâncias diferentes em épocas, sociedades e
classes sociais. A infância atualmente não é a mesma de décadas passadas.
Universalizar a criança é negar as suas particularidades socioculturais.
Nessa
perspectiva, é preciso ressignificar a educação para atender as variadas
infâncias, e não universalizar as crianças, o que faz negar as particularidades
de cada indivíduo. Do mesmo modo, faz-se importante criar um espaço que não
agregue a legitimidade de grupos sociais dominantes, mas um espaço que atenda a
equidade para uma sociedade mais justa e igualitária.
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