Um pouquinho sobre Infância
“O que é a criança? O que é ser criança? Como vivem e pensam
as crianças? O que significa a infância? Quando ela acaba? ” (COHN, 2005, p.
7).
As perguntas da antropóloga Clarice Cohn, nos remete a fazer reflexão sobre o que nós vivemos e o que experienciamos. Todo ser humano adulto já passou pela etapa de sua meninice, de um jeito único e subjetivo. Não há como descrever um conceito próprio de infância e de criança. Para Kramer (2011), é preciso olhar para a criança em sua totalidade, entender o contexto social a que essa pertence, seus modos de viver, para compreendermos a concepção de infância.
Desse modo, “A criança não tem, pois, um valor único, e não existe uma forma universalmente ideal de relação entre criança e adulto. Tratar da criança em abstrato, sem levar em considerações as diferentes condições de vida, é dissimular a significação social da infância” (idem, 2011, p. 23).
A infância a qual conhecemos hoje, que carece de cuidados especiais na integração do ser humano, é uma construção social e do mundo ocidental histórica, difundida pela sociedade burguesa europeia, como podemos ver em Ariès (1960). Segundo o mesmo autor, na era Medieval, século XVII, não havia separação do mundo adulto e infantil, a criança era inserida nas vivências e trabalho adulto a partir do momento em que essa poderia ser desgarrada no seio familiar, aos sete anos de idade.
Igualmente, ela era vista como um sujeito sem direitos, ao passo que Etimologicamente, a palavra "infância" tem
origem no latim infantia, do verbo fari = falar,
onde fan = falante e in constitui a
negação do verbo. Dessa maneira, infans refere-se ao
indivíduo que ainda não é capaz de falar, observado em Neto e Silva (2007).
A partir
do século XVII, o corpo social volta-se o olhar para a criança como o via a ser
da sociedade. Assim, começou a reconhecer a necessidade de discernir a
participação das crianças do mundo adulto. O sentimento da infância, de
perceber suas peculiaridades, foram se constituindo a partir das reformas
ocorridas nesse mesmo período, tais como as reformas religiosas católicas e
protestantes, que contribuíram para um novo olhar sobre a criança e a
aprendizagem

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