Fichamento: Ensino fundamental de nove anos: orientações gerais, 2004
REFERÊNCIA
BRASIL. Ministério da Educação.
Secretaria de Educação Básica. Ensino fundamental de nove anos:
orientações gerais. Brasília, DF: MEC/SEB, 2004.
RESUMO: Este fichamento trata-se das orientações
gerais para o Ensino Fundamental de Nove Anos, apresentando os marcos legais da
Lei. Com a implementação da Lei Federal 11.274/06 de 06 de fevereiro, que
ampliou a duração do ensino fundamental para nove anos, há uma reflexão e
tentativa de adequação de uma nova gestão e políticas públicas nos segmentos
que compõem a instituição escolar. O documento apresenta a escola com Qualidade
Social, não educando apenas dentro de muros escolares, mas, fazendo cidadania
para além da escola. A nova idade que integra o Ensino Fundamental é a fase
onde as crianças estão abertas ao conhecimento, propícias a capacidade de
imaginar, de interagir com os demais. É a idade da personificação da visão de
mundo, da formação da personalidade. Com isso, as orientações gerais para o
Ensino Fundamental de Nove Anos debruçam sobre a necessidade de fazer-se
necessário novas organizações no que diz respeito ao espaço escolar, currículo,
organização do trabalho pedagógico, formação do professor e participação
coletiva.
ENSINO
FUNDAMENTAL DE NOVE ANOS
–
ORIENTAÇÕES GERAIS –
I – EDUCAÇÃO COM QUALIDADE SOCIAL
Acrescenta-se,
ainda, que em torno de 2,8 milhões de crianças de sete a 14 anos estão
trabalhando, o que, por si só, já é comprometedor, mais ainda quando cerca de 800
mil dessas crianças estão envolvidas em formas degradantes de trabalho, inclusive
a prostituição infantil. (p.09)
Cabe reconhecer o
quanto o Brasil avançou em direção à democratização do acesso e da permanência
dos alunos no Ensino Fundamental, pois, hoje, 97% das crianças estão na escola.
Entretanto, avalia-se que o modelo educacional vigente não provocou mudanças
efetivas de comportamento para construir uma cidadania solidária, responsável e
comprometida com o País e com seu futuro. (p.09)
Sobre a estrutura
espacial da escola – a organização espacial das escolas (assim como
qualquer espaço social) tem levado a determinadas formas de agrupamento em seu
interior, seja de alunos, seja de professores, que mais dificultam do que
favorecem uma ação comunicativa construtiva. (p.09)
• Sobre os currículos
e programas escolares – Via de regra, os currículos têm sido tratados como
um programa, considerado, de modo geral, como uma organização de conteúdos numa
determinada seqüência e utilizando um determinado critério. Seria essa a única
possibilidade de se conceber o currículo? Será que a abordagem dos saberes
parte do conhecimento que os alunos trazem do seu grupo social? (p.10)
• Sobre o tempo
escolar – Os currículos e os programas têm sido trabalhados em unidades de
tempo e com horários definidos, que são interrompidos pelo toque de uma campainha.
Assim, a escola acaba reproduzindo a organização do tempo advinda da organização
fabril da sociedade. (p.10)
Trata-se de um
modelo disciplinar direcionado para a transmissão de conteúdos específicos,
organizado em tempos rígidos e centrado no trabalho docente individual, muitas
vezes solitário por falta de espaços que propiciem uma interlocução dialógica
entre os professores. (p.10)
É, assim,
imprescindível debater com a sociedade um outro conceito de currículo e escola,
com novos parâmetros de qualidade. Uma escola que seja um espaço e um tempo de
aprendizados de socialização, de vivências culturais, de investimento na autonomia,
de desafios, de prazer e de alegria, enfim, do desenvolvimento do ser humano em
todas as suas dimensões. (p. 11)
1. A Escola com Qualidade Social e os Movimentos de
Renovação Pedagógica
É justamente por
tomar como ponto de partida a realidade brasileira que se deve apontar para a
existência dos seus diversos patamares desiguais e contraditórios. Assim, ao
lado da escola com a estrutura curricular tal como foi considerada anteriormente,
existe, também, uma nova escola já em construção em vários lugares do Brasil. [...]
Pensando a necessidade de alçar o ensino a um patamar democrático real, uma vez
que o direito à educação não se restringe ao acesso à escola. (p. 11)
2. Alguns aspectos significativos da construção de uma
Escola com Qualidade Social
a) A escola como pólo irradiador de cultura e
conhecimento
[...] A escola
está inserida e constituída em um bairro, uma cidade, com suas histórias,
geografias e instituições, com seus movimentos sociais, políticos e culturais.
A renovação pedagógica vivenciada em muitas escolas brasileiras nos últimos
anos tem transformado o entorno da escola também em escola, ou seja, está gestando
a reconstrução daquela antiga comunidade. Está sendo considerada uma concepção
de educação mais abrangente, posta como primeiro fundamento da Lei de Diretrizes
e Bases, em seu artigo 1º:A educação abrange os processos formativos que
se desenvolvem na vidafamiliar, na convivência humana, no trabalho, nas
instituições de ensino epesquisa, nos movimentos sociais e organizações da
sociedade civil e nasmanifestações culturais. (p.12)
[...] Justamente
pela sua constituição de confluência de diversos saberes é que a escola tem
reafirmada a sua vocação de ser pólo gerador e irradiador de conhecimento e
cultura, contribuindo para reconstruir a organização da comunidade pelos seus
próprios atores. (p.12)
[...] É preciso
ressaltar que a formação de uma cidadania solidária, responsável e comprometida
com a construção de um projeto nacional de qualidade social, assegurando o
acesso, a participação e a permanência de todos na escola, é uma responsabilidade
de todas as instâncias de governo, do Ministério da Educação, das secretarias
estaduais e municipais de educação e da sociedade civil. (p.13)
b) O desenvolvimento do aluno é a principal referência
na organização do tempo e do espaço da escola.
Pode-se dizer,
então, que uma educação voltada para tais perspectivas precisa ser pensada
também com o foco voltado para essas características: (p.13)
• O ser humano é
ser de múltiplas dimensões;
• Todos aprendem
em tempos e em ritmos diferentes;
• O conhecimento
deve ser construído e reconstruído, processualmente e continuamente;
• É importante uma
gestão participativa, compartilhada e que tenha como referência a elaboração
coletiva do Projeto Político-Pedagógico, contemplando a ampliação do Ensino
Fundamental;
• A diversidade
metodológica e a avaliação diagnóstica, processual e formativa devem estar
comprometidas com uma aprendizagem inclusiva [...].(p.13)
II – A AMPLIAÇÃO DO ENSINO FUNDAMENTAL PARA NOVE ANOS
Constata-se um
interesse crescente no Brasil em aumentar o número de anos do ensino
obrigatório. A Lei nº 4.024, de 1961, estabelecia quatro anos; pelo Acordo de
Punta Del Este e Santiago, o governo brasileiro assumiu a obrigação de
estabelecer a duração de seis anos de ensino primário para todos os
brasileiros, prevendo cumpri-la até 19706. Em 1971, a Lei nº 5.692 estendeu a
obrigatoriedade para oito anos. Já em 1996, a LDB sinalizou para um ensino
obrigatório de nove anos, a iniciar-se aos seis anos de idade. Este se tornou
meta da educação nacional pela Lei nº 10.172, de 9 de janeiro de 2001, que aprovou
o PNE. Cabe, ainda, ressaltar que o Ensino Fundamental de nove anos é um
movimento mundial [...].(p.14)
1. Fundamentação legal
Conforme o PNE, a
determinação legal (Lei nº 10.172/2001, meta 2 do Ensino Fundamental) de
implantar progressivamente o Ensino Fundamental de nove anos, pela inclusão das
crianças de seis anos de idade, tem duas intenções: “oferecer maiores
oportunidades de aprendizagem no período da escolarização obrigatória e
assegurar que, ingressando mais cedo no sistema de ensino, as crianças
prossigam nos estudos, alcançando maior nível de escolaridade”. (p.14)
Ressalta também
que esta ação requer planejamento e diretrizes norteadoras para o atendimento
integral da criança em seu aspecto físico, psicológico, intelectual e social,
além de metas para a expansão do atendimento, com garantia de qualidade. Essa
qualidade implica assegurar um processo educativo respeitoso e construído com
base nas múltiplas dimensões e na especificidade do tempo da infância, do qual
também fazem parte as crianças de sete e oito anos. (p. 14 a 15)
As Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação
Infantil
fornecem elementos importantes para a revisão da Proposta Pedagógica do Ensino
Fundamental que incorporará as crianças de seis anos [...].(p.15)
• As propostas
pedagógicas (....) devem promover em suas práticas de educação e cuidados a
integração entre os aspectos físicos, emocionais, afetivos, cognitivo lingüísticos
e sociais da criança, entendendo que ela é um ser total, completo e
indivisível. Dessa forma, sentir, brincar, expressar-se, relacionar-se,
mover-se, organizar-se, cuidar-se, agir e responsabilizar-se são partes do todo
de cada indivíduo (....).(p.15)
• [...] As
propostas pedagógicas (....) devem buscar a interação entre as diversas áreas
de conhecimento e aspectos da vida cidadã como conteúdos básicos para a
constituição de conhecimentos e valores. (p.16)
• Tudo isso deve
acontecer num contexto em que cuidados e educação se realizem de modo
prazeroso, lúdico. (p.16)
• (....) as
estratégias pedagógicas devem evitar a monotonia, o exagero de atividades
“acadêmicas” ou de disciplinamento estéril. (p.16)
• As múltiplas
formas de diálogo e interação são o eixo de todo o trabalho pedagógico, que
deve primar pelo envolvimento e pelo interesse genuíno dos educadores em todas
as situações [...].(p.16)
• A participação
dos educadores é mesmo participação e não condução absoluta de todas as
atividades e centralização dessas em sua pessoa. (p.16)
2. Por que o Ensino Fundamental a partir dos seis anos
Conforme recentes
pesquisas, 81,7% das crianças de seis anos estão na escola, sendo que 38,9%
freqüentam a Educação Infantil, 13,6% as classes de alfabetização e 29,6% já
estão no Ensino Fundamental (IBGE, Censo Demográfico 2000). Esse dado reforça o
propósito de ampliação do Ensino Fundamental para nove anos, uma vez que
permite aumentar o número de crianças incluídas no sistema educacional. (p.17)
A opção pela faixa
etária dos 6 aos 14 e não dos 7 aos 15 anos para o Ensino Fundamental de nove
anos segue a tendência das famílias e dos sistemas de ensino de inserir
progressivamente as crianças de 6 anos na rede escolar. A inclusão, mediante a
antecipação do acesso, é uma medida contextualizada nas políticas educacionais
focalizadas no Ensino Fundamental. [...] Elas podem ser implementadas
positivamente na medida em que podem levar a uma escolarização mais
construtiva. Isto porque a adoção de um ensino obrigatório de nove anos
iniciando aos seis anos de idade pode contribuir para uma mudança na estrutura
e na cultura escolar. (p.17)
[...] Não se trata
de transferir para as crianças de seis anos os conteúdos e atividades da
tradicional primeira série, mas de conceber uma nova estrutura de organização
dos conteúdos em um Ensino Fundamental de nove anos, considerando o perfil de
seus alunos. (p.17)
O objetivo de um
maior número de anos de ensino obrigatório é assegurar a todas as crianças um
tempo mais longo de convívio escolar, maiores oportunidades de aprender e, com
isso, uma aprendizagem mais ampla. É evidente que a maior aprendizagem não
depende do aumento do tempo de permanência na escola, mas sim do emprego mais
eficaz do tempo. O cuidado na seqüência do processo de desenvolvimento e
aprendizagem das crianças de seis anos de idade implica o conhecimento e a
atenção às suas características etárias, sociais e psicológicas. (p.17 a 18)
3.1. Os nove anos de trabalho no Ensino Fundamental
Implantar um
Ensino Fundamental, agora de nove anos, leva necessariamente a repensá-lo no
seu conjunto. Assim, esta é uma oportunidade preciosa para uma nova práxis dos
educadores, sendo primordial que ela aborde os saberes e seus tempos, bem como
os métodos de trabalho, na perspectiva das reflexões antes tecidas. (p.18)
3.2. A nova idade que integra o Ensino Fundamental
Com base em
pesquisas e experiências práticas, construiu-se uma representação envolvendo
algumas das características das crianças de seis anos que as distinguem das de
outras faixas etárias, sobretudo pela imaginação, a curiosidade, o movimento e
o desejo de aprender aliados à sua forma privilegiada de conhecer o mundo por
meio do brincar. Nessa faixa etária a criança já apresenta grandes possibilidades
de simbolizar e compreender o mundo, estruturando seu pensamento e fazendo uso
de múltiplas linguagens. Nessa fase, vivem um momento crucial de suas vidas no
que se refere à construção de sua autonomia e de sua identidade. (p.19)
Estabelecem também
laços sociais e afetivos e constroem seus conhecimentos na interação com outras
crianças da mesma faixa etária, bem como com adultos com os quais se
relacionam. (p.19)
Especificamente em
relação à linguagem escrita, a criança, nessa idade ou fase de desenvolvimento,
que vive numa sociedade letrada, possui um forte desejo de aprender, somado ao
especial significado que tem para ela freqüentar uma escola. (p.19)
O desenvolvimento
maior ou menor desses aspectos e as possibilidades de aprendizagem dessas
crianças são determinados pelas experiências e pela qualidade das interações às
quais se encontram expostas no meio sociocultural em que vivem ou que
freqüentam. (p.20)
É necessário que o
sistema escolar esteja atento às situações envolvidas no ingresso da criança no
Ensino Fundamental, seja ela oriunda diretamente da família, seja da
pré-escola, a fim de manter os laços sociais e afetivos e as condições de
aprendizagem que lhe darão segurança e confiança. (p.20)
Nessa idade, em
contato com diferentes formas de representação e sendo desafiada a delas fazer
uso, a criança vai descobrindo e, progressivamente, aprendendo a usar as
múltiplas linguagens: gestual, corporal, plástica, oral, escrita, musical e,
sobretudo, aquela que lhe é mais peculiar e específica, a linguagem do
faz-de-conta, ou seja, do brincar. Sua relação com o outro, consigo mesma e com
diferentes objetos da natureza e da cultura que a circundam é mediada por essas
formas de expressão e comunicação. (p.20)
[...] No que se
refere ao aprendizado da linguagem escrita, a escola possui um papel
fundamental e decisivo, sobretudo para as crianças oriundas de famílias de
baixa renda e de pouca escolaridade. [...]é fundamental que a alfabetização
seja adequadamente trabalhada nessa faixa etária, considerandose que esse
processo não se inicia somente aos seis ou sete anos de idade, pois, em vários
casos, inicia-se bem antes, fato bastante relacionado à presença e ao uso da
língua escrita no ambiente da criança. (p.20)
A contextualização
dessas crianças contribui para uma compreensão que abre caminhos na direção de
uma aprendizagem inclusiva. Pelo fato de viverem numa sociedade cuja cultura
dominante é a letrada, desde que nascem as crianças constroem conhecimentos
prévios sobre o sistema de representação e o significado da leitura e da
escrita. (p.21)
Não sendo um
objeto de uso meramente escolar, as instituições educativas devem, ao trabalhar
o processo de alfabetização das crianças, apresentar a escrita de forma
contextualizada nos seus diversos usos. (p.21)
Observando essas
crianças, podemos constatar que desde muito cedo elas manifestam um grande
interesse pela leitura e pela escrita, ao tentar compreender seus significados
e imitar o gesto dos adultos escrevendo. Nesse processo, a escola deve considerar
a curiosidade, o desejo e o interesse das crianças, utilizando a leitura e a
escrita em situações significativas para elas. (p.21)
[...] Necessário,
além disso, um trabalho sistemático, centrado tanto nos aspectos funcionais e
textuais, quanto no aprendizado dos aspectos gráficos da linguagem escrita e
daqueles referentes ao sistema alfabético de representação. (p.21)
A despeito das
possibilidades já constatadas em crianças que nos anos anteriores à
escolaridade obrigatória formal tiveram contato com a leitura e com a escrita,
é fundamental considerar que uma parcela significativa das crianças brasileiras
inicia essas experiências somente ao ingressar na escolaridade formal. (p.21 a
22)
Esse fato aumenta
a responsabilidade da escola que receberá as crianças de seis anos, na medida
em que será necessário, por parte dela, um grande investimento na criação de um
ambiente alfabetizador, que possibilite às crianças não apenas ter acesso ao
mundo letrado, como também nele interagir. (p.22)
Desse modo, o
direito da criança a um maior tempo de escolaridade obrigatória deve ser
compreendido como ampliação de suas possibilidades de aprender e de interagir
com parceiros da mesma idade e com outros mais experientes. (p.22)
[...] Considerar a
especificidade da faixa etária das crianças significa reconhecê-las como
cidadãs e, portanto, como possuidoras de direitos, entre eles educação pública
de qualidade, proteção e cuidado por parte do poder público. (p.22)
III – ORGANIZAÇÃO DO TRABALHO PEDAGÓGICO
Uma questão
essencial é a organização da escola que inclui as crianças de seis anos no
Ensino Fundamental. Para recebê-las, ela necessita reorganizar a sua estrutura,
as formas de gestão, os ambientes, os espaços, os tempos, os materiais, os
conteúdos, as metodologias, os objetivos, o planejamento e a avaliação, de
sorte que as crianças se sintam inseridas e acolhidas num ambiente prazeroso e
propício à aprendizagem. (p.22)
Recomenda-se que
as escolas organizadas pela estrutura seriada não transformem esse novo ano em
mais uma série, com as características e a natureza da primeira série. Assim, o
Ministério da Educação orienta que, nos seus projetos político pedagógicos,
sejam previstas estratégias possibilitadoras de maior flexibilização dos seus
tempos, com menos cortes e descontinuidades. (p.22 a 23)
1.O trabalho coletivo
[...] É de suma
importância que os sistemas induzam e estimulem as linhas de ação coletiva nas
escolas, intencionalmente voltadas para a construção de um projeto pedagógico
que reflita o desejo e o planejamento de cada comunidade escolar. (p.23)
Os princípios,
objetivos e metas de cada projeto originam-se do diagnóstico da escola e são
estabelecidos pelo coletivo. Refletem o que este realmente deseja e pode
realizar. (p.23)
Igualmente
relevante é que a escola valorize seu percurso histórico e sistematize seus
resultados, sobretudo sob a ótica do sucesso escolar dos alunos. (p.23)
Cabe, contudo,
analisar um aspecto muitas vezes polêmico na relação da escola com a comunidade
educativa. António Nóvoa afirma a legitimidade dessa relação por seu caráter
social e político: “A escola tem de ser encarada como uma comunidade educativa,
permitindo mobilizar o conjunto dos atores sociais e dos grupos profissionais
em torno de um projeto comum.” (p.24)
Ao mesmo tempo,
Nóvoa tece as seguintes considerações a respeito dessa condição da escola como
comunidade educativa: “Para tanto, é preciso realizar um esforço de demarcação
dos espaços próprios de ação, pois só na clarificação desses limites se pode
alicerçar uma colaboração efetiva. Na verdade, se é inadmissível defender a
exclusão das comunidades da vida escolar, é igualmente inadmissível sustentar
ambigüidades que ponham em causa a autonomia científica e a dignidade do
profissional do corpo docente.” (p.24)
2. A formação do professor do aluno de seis anos do
Ensino Fundamental
[...] É essencial
assegurar ao professor programas de formação continuada, privilegiando a
especificidade do exercício docente em turmas que atendem a crianças de seis
anos. A natureza do trabalho docente requer um continuado processo de formação
dos sujeitos sociais historicamente envolvidos com a ação pedagógica, sendo
indispensável o desenvolvimento de atitudes investigativas, de alternativas
pedagógicas e metodológicas na busca de uma qualidade social da educação. (p.25)
[...] Como analisa
Ilma Passos Alencastro Veiga, “o projeto pedagógico da formação, alicerçado na
concepção do professor como agente social, deixa claro que é o exercício da
profissão do magistério que constitui verdadeiramente a referência central
tanto da formação inicial e continuada como da pesquisa em educação. Por isso,
não há formação e prática pedagógica definitivas: há um processo de criação
constante e infindável, necessariamente refletido e questionado, reconfigurado.
(p.25)
Promover a
formação continuada e coletiva é uma atitude gerencial indispensável para o
desenvolvimento de um trabalho pedagógico qualitativo que efetivamente promova
a aprendizagem dos alunos. (p.26)
A formação
oferecida fora da escola, por meio de cursos, é de grande relevância para o
aprimoramento profissional, podendo, inclusive, consolidar o processo de
acompanhamento sistemático das redes de ensino estaduais e municipais, mediante
discussões com os profissionais docentes. (p.26)
No entanto, é
decisivo o papel que o profissional da educação realiza no dia-a-dia da escola.
Esse fazer precisa ser objeto de reflexão, de estudos, de planejamentos e de
ações coletivas, no interior da escola, de modo intimamente ligado às vivências
cotidianas. A freqüência de encontros sistemáticos e coletivos para estudos e
proposições permite uma articulação indissociada entre teoria e prática. (p.26)
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